O NAU, hoje

 

Cinco áreas temáticas, uma revista eletrônica, a organização de um seminário de âmbito nacional – “Graduação em Campo – seminários de Antropologia Urbana” –, um acervo e uma proposta editorial constituem o arcabouço de sua agenda da qual participam os atuais 38 integrantes (graduandos, pós graduandos, pós doutorandos e pesquisadores associados), 28 dos quais se reúnem numa das salas de pesquisa do Departamento de Antropologia que, ademais, disponibiliza uma bolsa para monitoria fundamental no gerenciamento de suas atividades. As áreas são: Surdos, Religião, Corpo e cidade, Migração, Índios urbanos.

As três primeiras são as mais antigas: o grupo de estudos sobre surdos congrega também alunos de Letras e faz parte de um grupo mais amplo, com professores e alunos dos departamentos de Linguística e de Letras Modernas da FFLCH e seus membros têm aulas semanais de libras com um professor surdo. A de religião congrega pesquisadores voltados para várias manifestações de religiosidade mas sempre em relação com o espaço urbano; a de corpo e cidade inclui lazer e práticas esportivas e, mais recentemente, “cultura de periferia”. A área de Migração começou direcionada pelo fenômeno do retorno dos decasséguis e rapidamente aglutinou estudantes de sociologia e relações internacionais. “Índios urbanos” foi formado em função do programa PROCAD da Capes que permitiu celebrar um convênio entre USP e a UFAM e abriu, para o NAU, um estimulante campo de reflexão e pesquisa na interseção dessas duas áreas, antropologia urbana e etnologia indígena.

 

Alguns destaques:

 

  • Acervo: o NAU abriga um acervo de 536 trabalhos finais de alunos de graduação que cursaram a disciplina “Pesquisa de campo em Antropologia”. Em torno dele constituiu-se uma equipe disposta a tratá-lo como documentação a ser conservada, classificada, disponibilizada como banco de dados para consulta e, finalmente, ser considerada como um objeto especial de estudo: afinal, traz informações sobre a cidade de São Paulo coligidas durante duas décadas, sob o foco da antropologia urbana e com o olhar de jovens pesquisadores em suas primeiras incursões pela etnografia; aí há também material para se avaliar o processo de ensino/aprendizado dessa metodologia.                                                                                                                                                                                                                                     
  • Graduação em Campo: Seminários de Antropologia Urbana das Ciências Sociais: Trata-se de uma atividade que comecei a organizar em 2002 e seu objetivo era oferecer aos alunos, cujos trabalhos obtivessem boa avaliação na disciplina “Pesquisa de Campo em Antropologia”, uma oportunidade de apresentá-los de acordo com o ritual completo de um evento científico. Iniciativa destinada a valorizar o trabalho de pesquisa na graduação, permite que monografias e relatórios finais, comumente relegados ao fundo das gavetas da sala do professor, sejam discutidos em domínio público, ainda que entre colegas. O interesse pelo evento foi aumentando de tal modo que os Seminários, antes restritos aos alunos da USP, atualmente recebem inscrições de estudantes de graduação em Ciências Sociais de todo o país: em 2010 foram 132 inscrições de 30 instituições de ensino diferentes. Conta com um conferencista convidado para abrir os trabalhos, transmissão on-line das apresentações, comentários (a cargo de alunos de Pós-Graduação brasileiros e estrangeiros), caderno de resumos impresso e eletrônico. Já está em sua nona edição e foi o primeiro de seu gênero, no Brasil.                                                                                                                                                                                                     
  • Coleção “Antropologia Hoje”: fruto de uma parceria entre o NAU e a Editora Terceiro Nome, com cinco títulos livros já lançados: Jovens na metrópole: etnografias de circuitos de lazer, encontro e sociabilidade, (2007) organizado por mim e pela aluna Bruna Mantese; A Igreja Universal e seus demônios (2009) de Ronaldo de Almeida; Visão de Jogo: Antropologia das práticas esportivas (2009), organizado por Luiz Henrique de Toledo e Carlos Eduardo Costa; Religiões e Cidades: Rio de Janeiro e São Paulo (2009), Clara Mafra e Ronaldo de Almeida, organizadores e Junto e misturado: uma etnografia do PCC, de Karina Biondi (2010). A Comissão Editorial, por mim presidida, é composta por Ronaldo de Almeida (UNICAMP/CEBRAP), Luiz Henrique de Toledo (UFSCAR) e Renata Menezes (MN/UFRJ).                                                                                                                                                                                       
  • Finalmente, cabe um menção especial ao projeto Paisagens ameríndias: Habilidades, mobilidade e socialidade nos rios e cidades da Amazônia, pela novidade que representa como tema de pesquisa e reflexão. É resultado de um convênio entre os programas de pós graduação em antropologia da USP e da UFAM, aprovado pelo PROCAD (Programa Nacional de Cooperação Acadêmica – CAPES) em outubro de 2008, com vigência de 4 anos. O eixo temático a ser desenvolvido pelos pesquisadores do NAU intitula-se Tempo Livre e Lazer nas cidades amazônicas com ênfase nas populações indígenas, cujo objetivo, segundo o projeto, é realizar “uma etnografia de formas de lazer e modalidades de uso do tempo livre nos espaços de socialidade da população indígena nas cidades da Amazônia como modo de abordagem inovadora dos processos de incorporação da vida urbana pelas populações nativas.” O desafio neste novo projeto é articular, a partir de um recorte etnográfico, duas tradições da antropologia brasileira, a etnologia indígena e a antropologia urbana, que seguem suas trajetórias na maioria das vezes, sem maiores contatos.